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Planta da Amazônia é arma poderosa contra poluição

Aguapé não é praga. Além de ser muito útil em lagos de jardins, essa planta pode ser usada por pequenos agricultores como fonte de energia, combustível e fertilizante. Sobram estudos e falta determinação, constata-se na análise do trabalho persistente feito na internet pelo fiscal agropecuário do Ministério da Agricultura e bacharel em química, Missao Tanizaki, de Brasília.

Originária do Brasil, a Eichornia crassipes – seu nome científico – foi introduzida em vários países por causa de suas bonitas flores. Prolifera muito: em ambientes propícios pode aumentar a biomassa na taxa de 5% ao dia. Tem um poder de germinação enorme. Se for retirada completamente de um lago, para que as suas sementes germinem basta a presença de luz atravessando a lâmina d’água até o fundo.

É também conhecida por baronesa, camalote, aguapé-de-flor-roxa, dama-do-lago, jacinto-d’água, murerê, mureru, muriru, murumuru, mururé-de-canudo, orelha-de-veado, orquídea-d’água, parecí, pavoã e rainha-dos-lagos.

Um dos maiores defensores dessa planta encontrada do sul do País à Amazônia, Tanizaki disse esta semana à Agência Amazônia que municípios brasileiros e sul-americanos com a presença de aguapé deveriam mobilizar especialistas na busca da sua melhor destinação. “Alguns já fazem isso, mas a limpeza de algumas áreas alagadas deve ser um componente social, uma tarefa de todos”, ele observou. O fiscal lembrou que no Lago Paranoá, em Brasília já se fez um trabalho para a preservação da qualidade das águas.

Aprendizado para um bom manejo

No entendimento de Tanizaki, não se pode mais esperar para mudar a situação. Citando a Declaração de Bangkoc, ele lembra que a política e as regulamentações referentes à aqüicultura devem promover explorações técnicas “economicamente viáveis, ambientalmente responsáveis e socialmente aceitáveis”. Assim, por exemplo, os sistemas de tratamento de efluentes compostos por plantas aquáticas podem ser uma alternativa viável para os aqüicultores.

Segundo ele, há vantagens do baixo custo de instalação e manutenção e a eficiência já comprovada no tratamento de efluentes urbanos. Outro aspecto relevante é que o excesso de biomassa vegetal produzido pode ser utilizado como fertilizante da água dos viveiros e tanques de piscicultura, proporcionando o aumento de organismos que participam da cadeia alimentar dos peixes, ou mesmo como fonte alternativa de proteína.

“A maioria dos municípios precisa aprender a trabalhar com a biomassa do aguapé. Muitos estão até pecando, porque utilizam produtos químicos tóxicos para erradicar a planta e, assim, contaminam as águas”, adverte o técnico.

“O aguapé vem sendo, equivocadamente, considerado uma praga por prefeitos e autoridades brasileiras e de outros países”, prossegue. “Ao contrário, eles deveriam valorizar esse fantástico recurso que Deus e a natureza nos deixam de presente para promover o desenvolvimento social e econômico do Brasil. É o nosso melhor despoluidor de águas”.

Tanizaki acredita que um manejo e destinação correta tornariam o aguapé “um santo remédio para a humanidade” na solução dos seus principais problemas. Conforme explicou, esse “santo remédio” resolve ou ameniza sensivelmente as mudanças climáticas, podendo se tornar no principal substituto do petróleo e garantir água de qualidade para o abastecimento das populações.

Pequenas barragens

Tanizaki se vê envolvido num trabalho que busca conscientizar melhor as autoridades a respeito da importância dessa planta. Desta maneira, ele entende que poderá iniciar um novo trabalho visando à construção de pequenas barragens para a produção de aguapé.

“Serão milhares, em grande escala mesmo. Indiscutivelmente isso contribuirá para que a agropecuária nacional se consolide e proporcione milhões de empregos dignos no Brasil”, prevê. Entusiasta do assunto, ele também acredita numa próxima frente com mais trabalhos, “cada qual com o seu valor e seu êxito”. Aposta numa perfeita somatória de esforços, “até para derrotar a criminalidade”.

Filtro seguro e refúgio de alevinos

BRASÍLIA – Estudos da USP e da Unesp mostram a importância do aguapé em lagos de jardim, onde servem para a desova dos peixes de água fria (kinguios e carpas) e de refúgio para os alevinos. A planta evita a luz direta do sol sobre a lâmina, impedindo que a água fique extremamente esverdeada, já que absorve a luz na superfície.

Por meio de suas raízes, absorve também os nitratos e fosfatos sempre presentes em águas eutrofizadas, competindo diretamente com as algas pela absorção destes nutrientes. Possui propriedades filtrantes. Erga um aguapé e note a grande quantidade de detritos em suspensão que ele literalmente “segura” em suas raízes. Absorve metais pesados presentes na água, principalmente ferro, cálcio, manganês e magnésio.

Na aqüicultura intensiva, as rações empregadas apresentam elevados teores de nutrientes e apenas uma fração do alimento disponível é digerida pelos organismos. Esse alimento não consumido é convertido em sólidos orgânicos em suspensão, dióxido de carbono, amônia, fosfato e em outros compostos, que associados às excretas e às fezes, proporcionam um considerável aporte de matéria orgânica e inorgânica aos ecossistemas aquáticos.

Apesar do efluente de aqüicultura apresentar grande volume com baixos teores de nutrientes, quando comparado com os efluentes de origem doméstica, o seu lançamento direto e contínuo nos ambientes límnicos pode resultar em uma bioacumulação crônica e eutrofização, com conseqüências ecológicas negativas sobre o ambiente aquático. Para minimizar tais impactos existe a necessidade do tratamento dos efluentes produzidos por essas atividades, visando atender às exigências das novas legislações, às pressões de órgãos ambientais e da própria sociedade.

Outro uso notável do aguapé consiste na fabricação de tijolos do tipo adobe, amplamente utilizados em construção civil. Apesar de ser um dos mais antigos materiais manufaturados, esse modelo ainda se mostra atual e perfeitamente viável como material de construção totalmente ecológico.

A utilização do aguapé pode ser inserida em programas de manejo integrado de lagos eutrofizados ou em vias de eutrofização, como alternativa de retirada e encapsulamento de nutrientes e metais indesejados em um ecossistema e alternativa para a construção de habitações de interesse social (com baixo custo), cujo déficit é preocupante no Brasil.

Saiba mais sobre a planta

Constituintes químicos: minerais da planta (1% do peso verde da planta): 28,7% de potássio, 21% de cloro, 12% de cal, 7% de anidrido fosfórico, 1,8% de soda, 1,28% de nitrogênio e 0,59% de magnésio.

Pela sua grande capacidade de absorção de nutrientes, pode ser usada na despoluição de esgotos. Suas folhas são rígidas e brilhantes, com cutícula espessa e repelente à água e ficam reunidas em rosetas.

Estima-se que o Canal do Panamá ficaria totalmente obstruído em apenas três anos, se não fossem tomadas medidas relativas ao controle do aguapé.

Não tolera salinidade e suas folhas também são sensíveis às geadas. Na Índia, invade plantações de arroz, impedindo o seu crescimento. Na África, escapou para o Rio Congo e chegou ao Nilo. Em algumas partes do Sudão reproduziu-se tanto que impediu a navegação. Nos EUA tentaram erradicá-la por meio do uso de arsênico, o que causou a mortandade de diversos animais domésticos, devido ao envenenamento da cadeia alimentar.

A base das folhas geralmente parece uma pequena bóia. As rosetas multiplicam-se por meio de estolões. Suas raízes são numerosas, com coifas bem desenvolvidas. Flores belíssimas apresentam o fenômeno tristilia, bastante raro em plantas. Neste fenômeno verificam-se basicamente três tipos de plantas, cada uma com um tipo de flor. Estas flores têm seus estames e estiletes em três alturas diferentes. Quando as abelhas visitam estas flores, tocam em partes diferentes da planta, ora sujando-se de pólen ou conduzindo esse pólen para outra planta e recebendo outro. Dá-se a polinização cruzada.

Fonte: Portal do meio ambiente.

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O e-lixo na mira do Brasil


Aumenta a preocupação no país sobre a destinação do lixo tecnológico que alcança volumes maiores com o fácil acesso à tecnologia dos novos produtos eletrônicos. O Estado de São Paulo já tem lei para fabricantes e o consumidor recebe orientação para o descarte consciente.

Dados apontam que foram comercializados no Brasil cerca de 12 milhões de computadores somente em 2008, contra 10 milhões no ano anterior. Neste mesmo ano, a indústria de celulares vendeu mais de 1,22 bilhão de unidades, 15% a mais do que em 2007. São números que impressionam o mercado, ainda mais se levarmos em conta que entre os eletrônicos mais vendidos no país despontam as câmeras digitais e os notebooks. A tecnologia mutante dos aparelhos eletrônicos, que se mostra cada dia mais avançada, é a maior culpada por esta corrida ao consumo. A facilidade de compra é outro componente que atrai o consumidor, sendo possível dividir o valor do produto em até 10x sem juros e contar com a praticidade da venda pela internet. Mas estas variáveis apontam para um cenário bastante preocupante.

O consumidor está cada vez mais sedento por novidades eletrônicas, alterações de modelos, novas funcionalidades, o que ocasiona à frequente "troca" por amostras inéditas. E os aparelhos fora de uso são deixados de lado, formando o crescente lixo eletrônico. "É a consequência da popularização da tecnologia, que não pode ser evitada, mas que precisa ser orientada para o descarte consciente" analisa a diretora da Inteligência Ambiental, portal na internet que oferece o acesso livre a informações e soluções sustentáveis, Patrícia do Val.

Neste ano, o Estado de São Paulo avançou na política ambiental com a aprovação do Projeto de Lei 33/2008, que institui normas e procedimentos para a reciclagem, gerenciamento e destinação final do lixo tecnológico. Com essa aprovação, quem fabrica, importa ou comercializa produtos eletroeletrônicos será obrigado a adotar práticas que assegurem a reciclagem e reutilização total ou parcial do material descartado. A lei busca evitar o rejeite inadequado do e-lixo e envolver os fabricantes na prática do estímulo à reciclagem. Hoje empresas como HP, Dell e IBM já possuem programas de recolhimento de equipamentos. "Todos devem ter sua parcela de comprometimento, seja o consumidor com o uso racional, seja a empresa com a orientação sobre o destino final. E o governo já deu seu passo para regulamentar o processo de descarte" avalia a diretora da Inteligência Ambiental.

Fonte: Portal do meio ambiente

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Bioma é a grande caixa d’água do País


Por trás da aparência ressecada dos meses de inverno, quando a umidade do ar cai a níveis alarmantes em algumas regiões, o Cerrado esconde uma identidade secreta: o bioma é um gigantesco coletor e distribuidor nacional de água, crucial para o abastecimento das regiões Centro-Sul, Nordeste, do Pantanal e até partes da Amazônia. Um serviço ecológico gratuito que corre o risco de ser racionado por causa do desmatamento.

Das 12 bacias hidrográficas do País, 8 estão inseridas no Cerrado. A localização central do bioma, combinada com sua elevação topográfica e alta concentração de nascentes, faz com que ele funcione como uma caixa d’água. Cerca de 94% da água que corre na Bacia do Rio São Francisco em direção ao Nordeste brota no Cerrado - apesar de apenas 47% da bacia estar dentro do bioma, segundo cálculos da Embrapa.

No caso do sistema Araguaia-Tocantins, que corre para o Norte e vai desaguar no Pará, 71% da água da bacia nasce no Cerrado. A proporção é a mesma para o conjunto das Bacias do Paraguai e do Paraná, que drenam grandes áreas do Centro-Sul. "O rio é só o encanamento superficial pelo qual a água corre", diz o pesquisador Felipe Ribeiro, da Embrapa. "Mas onde a água nasce é no Cerrado. As besteiras que a gente fizer aqui em cima vão repercutir rio abaixo."

E as besteiras já estão em curso. Estudos realizados pelo pesquisador Marcos Costa, da Universidade Federal de Viçosa, mostram que o desmatamento nas cabeceiras do sistema Araguaia-Tocantins aumentou a descarga dos rios em 25%, apesar de não ter havido mudanças nos índices pluviométricos da bacia. Ou seja: a quantidade de água nos rios aumentou, apesar de a chuva ter continuado igual.

Mais água, nesse caso, é má notícia. O problema é que o solo coberto por pastagens e lavouras absorve menos água do que o solo com vegetação nativa. Consequentemente, mais água escorre para os rios e é levada para fora do Cerrado, diminuindo a quantidade de umidade que fica disponível para os ecossistemas locais e a própria agricultura - além de aumentar o risco de enchentes para as comunidades que vivem rio abaixo.

Segundo Costa, se o desmatamento continuar, é provável que os níveis de precipitação no bioma também sejam afetados. "Acho que estamos próximos do limite em termos climáticos."

"O problema mais sério que vamos ter daqui dez anos é com a irrigação", diz o pesquisador Hilton Silveira Pinto, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp.

O Pantanal também está de olho no problema. Praticamente todos os rios que deságuam no bioma nascem no Cerrado. "A sobrevivência do Pantanal depende diretamente da conservação do Cerrado", diz o ecólogo Leandro Baumgarten, da ONG The Nature Conservancy.

Fonte: Herton Escobar/ Estadão Online

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Os desafios tecnológicos ganham espaço nos debates sobre a exploração da camada pré-sal


O debate que hoje pela manhã reuniu em Brasília, na sede do Conselho Federal de Engenharia Arquitetura e Agronomia, o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner e Paulo Metri, integrante da Comissão Nacional de Energia Nuclear, abriu espaço para as questões técnicas que envolvem a exploração de petróleo no oceano brasileiro em profundidades de até 7 mil metros.

Promovido pelo Confea, o debate tratou dos atrasos e avanços tecnológicos para a exploração do óleo bruto, da necessidade da remodelagem da indústria da cadeia petrolífera; formação de mão de obra especializada; geração de empregos, cerca de um milhão estão previstos; matéria-prima; maquinário e ainda questões de logística que envolvem transporte de pessoal para trabalhar em bases em alto mar a uma distância de 300 km, também foram temas debatidos.

Para o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, o debate: “é um dos mais importantes a se fazer para as perspectivas do desenvolvimento brasileiro”. Para ele, o pré-sal “é uma oportunidade fantástica desde que se saiba transformá-la em riqueza para todo o país”.

Entusiasta do pré-sal em função dos “desafios técnicos que representa e que pode se tornar o impulso que faltava para que o país passe a figurar entre os seis maiores produtores mundiais, mas defendendo o desenvolvimento sustentável, Túlio de Melo acredita que o país não abandonará a produção de energia renovável: “os biocombustíveis com certeza terão continuidade”, afirma.

Paulo Metri defendeu como “estratégico” o valor geopolítico do petróleo, mas se posiciona contra a Petro-sal. Para ele a nova empresa “esvaziará a Petrobrás”. Hubner, por sua vez, lembrou as reuniões “secretas” que por meses consumiram horas de trabalho para que o anúncio do petróleo na camada pré-sal e tudo o que envolve essa exploração fosse bem elaborado.

Para uma plateia de especialistas formada por engenheiros das mais diversas modalidades e lideranças da área tecnológica, além de conselheiros e técnicos, Gabrielli falou desde a origem geológica da camada pré-sal até os questionamentos sobre o comportamento dos reservatórios sob a pressão da exploração. Ele chama a atenção para a questão da produtividade por poço “fundamental”, diz. “Temos grandes reservatórios com grandes volumes mas não sabemos seu comportamento”, coloca em questão.

Gabrielli desenhou o Brasil com todas as qualidades necessárias para atrair investimentos e não só na cadeia petrolífera: “grandes reservas, alta tecnologia, a industrial diversificada, grande mercado consumidor e estabilidade política, econômica e jurídica”.

A perfuração no pré-sal exige equipamentos complexos como sondas em alto mar, a dois mil metros de profundidade. O Brasil aluga essas sondas a um custo que varia de 500 a 600 mil dólares/dia e, segundo ele, deve produzir 28 delas até 2013.

Para explorar o pré-sal, adianta Gabrielli, “temos um elemento chave: treinamento de pessoal” - cerca de 243 mil pessoas estão sendo preparadas até 2016 - e “capitalizar a Petrobras”, além de mudar o marco regulatório e “adotar o modelo de partilha”, defende.

Fonte: CONFEA.

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Universalização do saneamento é uma questão de justiça social

O 25° Congresso Nacional de Engenharia Sanitária e Ambiental, realizado no Recife entre os dias 20 e 25 de setembro, reúne especialistas, empresas, governo e academia para discutir a universalização do acesso ao saneamento. O evento iniciou dois dias depois da divulgação da Pnad 2008 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). A pesquisa apontou que 47,8% dos domicílios brasileiros não têm acesso a tratamento de esgoto. Já o abastecimento de água e a coleta de lixo melhoraram. O país atingiu 83,9% das residências recebendo água e 87,9% com o lixo recolhido. A evolução dos números de um ano para o outro, na opinião da presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), Cassilda Teixeira, foi muito pequena. Comparando os dados dos dois últimos anos (2207 e 2008), praticamente não houve evolução em nenhum indicador. Esses resultados refletem o retrato do saneamento e precisamos correr para reverter esse cenário. Em entrevista ao Confea, a presidente fala sobre o Congresso, o desafio de oferecer água e coleta de esgoto aos brasileiros e sobre como os atores sociais devem contribuir para o alcance da meta de universalização.

Confea – O tema central do Congresso é a universalização como justiça social. Como a senhora acha que essa universalização será alcançada?

Cassilda Teixeira – A universalização é um caminho difícil e longo. No Brasil ela passa por diversas questões. Primeiro, além dos recursos e dos investimentos, que começou a chegar no setor nos últimos anos – além da manutenção desses recursos –, vamos precisar que uma parcela seja subsidiada pelos governos. Precisamos da melhoria dos serviços para que tenhamos maior alcance. O Brasil fez vários esforços nesse sentindo. Tem a Lei 11.444/07, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e para a política federal de saneamento básico. Estão sendo criadas as agências reguladoras estaduais; afinal alguém tem que regular. No Brasil, até hoje, as tarifas vinham sendo decididas pelo governo. Agora, com as agências reguladoras, as discussões sobre as tarifas estão mais evidentes para os consumidores. Diante disso, essas agências podem interferir ajudando a diminuir as tarifas e, consequentemente, aumentando a eficiência. Acreditamos que em mais 15 anos posamos ter a universalização nas regiões urbanas. Para isso é preciso trabalhar em três vetores: combate às perdas, com a melhoria do desempenho; regulação e suporte de subsídios para a população mais carente.

Confea – A senhora concorda com a opinião de um dos palestrantes do painel sobre universalização de que a questão do saneamento não é só a oferta de recursos, mas o acesso a ele, já que não estão acessíveis a todas as situações.

Cassilda Teixeira – Olha, se olharmos qualquer pesquisa no Brasil, vemos que o número de celulares é superior ao da população brasileira. A média das contas desses celulares é de R$ 65. Quer dizer; dinheiro para pagar celular é possível. O que achamos é que falta um pouco ao setor a discussão entre operado e população, para mostrar e buscar um entendimento sobre a importância da água. Não quero somente discutir números. Mas, com certeza, seria muito menor esse subsídio se fosse melhorada a eficiência. O aumento da interlocução com a população e a oferta dos serviços que ela quer receber, com certeza, aumentaria a disposição para pagar; como acontece com outros serviços. Essa relação – empresas e consumidor – é muito fraca no setor de saneamento brasileiro. Não posso dizer que não precisa de subsídio nenhum, mas ele será muito menor na medida em que as empresas passem a oferecer a prestação de um serviço com a qualidade esperada. O subsídio existente no Brasil para arcar com os investimentos dessa parcela da população, e ele é bem interessante. Porém, esse subsídio ainda é uma caixa preta. Caem nas companhias e não são discutidos com os diversos municípios. Considero que existem vários outros gargalos.

Confea – Quais políticas públicas devem ser buscadas para a área de saneamento e como a Abes vem interagindo com todos os atores.

Cassilda Teixeira – Devemos buscar a integração das política. Por exemplo, quando o rio Tietê transborda, isso não é só um problema de drenagem, mas um problema do lixo, de assoreamento. A dificuldade de um país como o nosso, apesar de já ter melhorado, é buscar a integração. Aqui, como foi mostrado em um dos painéis, já e difícil gerir um dos braços. Mas, apesar dessa dificuldade, precisamos tratar a gestão de resíduos, a gestão pluvial, o assoreamento e o saneamento. Tudo de forma integrada.

Confea – O que a Abes espera como resultado desse evento, que proporciona a discussão conjunta dos vários setores?

Cassilda Teixeira – Esperamos que as discussões sejam amadurecidas sobre como alcançar a universalização. Temos que ter esse processo de discussão, de debate e de amadurecimento. Precisamos ter uma visão hegemônica que possa oferecer uma solução. O que podemos esperar de uma conferência que reúne cinco mil sanitaristas, 27 estados e, apesar de nacional, atraiu 17 países – como todo debate importante – é que: experiências sejam trocadas, a proposta científica seja aprofundada e a questão institucional seja amadurecida.

Confea – O tema do Congresso é “Saneamento Ambiental: Universalização é Justiça Social”. A senhora acredita que no Brasil será possível?

Cassilda Teixeira – O caminho é esse. Se olharmos para trás veremos que somos um vetor ajudando para o alcance desse objetivo. A questão da diminuição das desigualdades é uma realidade em qualquer sociedade desenvolvida ou em desenvolvimento. No Brasil a meta de diminuição dessas desigualdades – espero –; é um caminho sem volta

Fonte: CONFEA.

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